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Campus Party e a Responsabilidade Socioambiental

Como um evento de tecnologia pode contribuir
para a construção de um mundo sustentável?

No blog do Campus Party é possível encontrar a "Carta True Tech" com a descrição do quanto prejudicial é cada aparelho eletrônico.A carta alerta para os problemas com o lixo eletrônico, lembrando que os dispositivos tecnológicos são produzidos a partir de minérios e derivado de petróleo, substâncias que não interagem com o solo e, portanto, não se decompõem.

E em um lugar onde estão juntos tantos hardwares, microchips e pcs, a conscientização sobre o tema fica responsável por um pequeno grupo de participantes. Dentre as ações, houve a construção de um grupo de discussão para debater o tema, uma instalação com cartazes mobilizando as pessoas a acessarem o site, palestras e exibições de vídeos.

A única ação oficial, além das oficinas promovidas pelo Campus Party, foi espalhar pelo campus lixeiras de coleta seletiva do lixo. Luiz Flávio Lima, participante do evento e editor da Revista Menisqüência! relata que os resíduos das lixeiras separadas são todas postas em um mesmo lugar. "Não adianta nada as pessoas separarem o lixo na hora do descarte, se não há de fato destinação adequada para esse lixo" comenta.

No dia 16, sexta-feira, a instalação realizada pelo grupo de ocupação espalhou lixo por todo o espaço, para chamar atenção sobre a problemática. Segundo o texto publicado no grupo de discussão e no Blog Ecobservatório "a organização do Campus Party contratou a empresa de limpeza sem exigir o serviço de coleta seletiva e destinação adequada dos resíduos do evento."

Em respostas aos pedidos de ações na área ambiental, a chamada Campus Verde (área de sustentabilidade do Campus) lançou uma campanha com o objetivo de plantar uma muda de árvore para cada participante do evento, como forma de suprir os danos ambientais causado causados pela emissão de CO2 gerados pelas atividades do evento. Os campuseiros ainda poderiam sugerir o local onde sua árvore seria plantada enviando um e-mail.

O projeto causou polêmicas entre os setores responsáveis pela área socioambiental, através da cobertura feita por muitos blogs, apontando as dificuldades de melhoras e falta de projetos. Alguns apontaram que uma árvore demoraria cerca de 20 anos para que pudessem de fato absorver o CO2 emitido.

O Campus Party, em seu blog, divulgou um artigo da coordenadora do Campus Verde, Maira Begalli, ironizando a proposta anteriormente apresentada. Segundo a autora, "o Campus Verde poderia ter se resumido em contratar uma empresa para fazer o plantio de mudas superfaturadas, cultivadas e plantadas por camponeses mal remunerados, excluídos digitais. E ainda por cima que nem saberíamos (nunca saberíamos se seriam plantadas ou não). Mas não fizemos".

Neste mesmo artigo, Maira apresenta um novo projeto ambiental para o Campus Verde, junto ao Software Livre. O projeto consiste em calcular aproximadamente a emissão de carbono de cada participante de uma forma onde todos tenham acesso ao cálculo, sendo possível analisar quantas árvores plantar para "neutralizar" sua emissão de carbono. Segundo o blog, "Um sistema que calcule quantas mudas, de que espécie (de acordo com a sua região) você pode plantar para minimizar os impactos provocados por sua interação".

Ao final do evento, após tanta cobrança e ainda deixando o espaço aberto para pensar em um Campus Party sustentável, a coordenação o evento agradeceu em seu blog, aos jornalistas e articuladores "que apontaram e cobraram novas iniciativas verdes de verdade".

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